_afinal, o que são Yamas e Niyamas?
- Patrícia Sobrinho
- 10 de fev.
- 4 min de leitura
Acho que essa é a pergunta que mais respondo quando começo a explicar sobre yoga. Primeiro que essas duas palavras soam muito diferentes porque estão em sânscrito, a tradução seria “princípios éticos” e mesmo assim não fica ainda muito confortável entender.
Mas quando eu digo que Yamas é como não ser um problema para o mundo e Niyamas como não ser um problema para si, fica menos difícil, mas fica mais fácil quando explico que são 10 palavras mágicas para treinarmos no yoga e na vida.

Sempre fui encantada pela organização perfeita que Patanjali fez e nos deixou como presente para praticarmos Yoga, mas uma coisa sempre me fez questionar {me permitam explicar que para a forma de organização indiana tudo que vem em primeiro lugar é o mais importante, dito isso…} se os Yamas e os Niyamas são os dois primeiros passos, por que quando praticamos o que mais se treina são os asanas/posturas?
Eu sempre senti o efeito dos asanas no corpo e na mente, sempre gostei de escutar meu corpo e na expiração ceder um pouquinho mais pelo relaxamento do esforço, então a parte “prática” das aulas sempre foi muito legal e mesmo assim me perguntava como treinar na prática os Yamas e Niyamas?
Essa pergunta mudou tudo!
Comecei a reler os Yoga Sutras de Patanjali {onde ele descreve toda essa organização e se “deve” começar a ler pelo segundo capítulo} e tentar achar uma forma de deixar mais acessível para mim e para as crianças.
Só para ilustrar o que quero dizer:
No sutra está escrito:
“A pessoa estabelecida na não violência, a inimizade desaparece das proximidades.” Isso é o ensinamento sobre não violência, o primeiro Yama.
E eu me perguntava: como treinar isso na prática?
Entendi que se eu me convidasse para experienciar no dia a dia, teria treino para o dia todo e para todos os dias, como fala a professora Lia Diskin.
Yamas e Niyamas é sobre treinar todos os dias, o dia todo!
Comecei a observar, anotar, ler e também buscar pessoas que tivessem pensamentos parecidos com os meus. Foi assim que ganhei o presente de compartilhar esse universo com a Carol, que também estava treinando os Yamas e Niyamas na prática. Nosso encontro foi um presente especial, participei do curso dela e passamos a tagarelar sobre Yamas e Niyamas como algo muito próximo.
Encontrei também a Deborah Adele, que tem uma forma incrível de falar sobre Yamas e Niyamas, o livro dela é como se estivéssemos sentadas com ela tomando um chá e conversando.
As minhas referências passaram a ser a professora Lia, a Carol e a Deborah.
Então o que são Yamas e Niyamas? Como também fala a professora Lia, são bons conselhos para a vida.
Quando respeitamos o limite do nosso corpo e não forçamos em uma postura ou quando falamos com gentileza e respeito com alguém ou também quando somos gentis em pensamento conosco, isso é Ahimsa, não violência.
Quando escolhemos, além de falar a verdade, honrar nossa verdade interior e quem somos em essência, isso é Satya, verdade.
Quando não roubamos as ideias, o crédito por algo feito, o tempo, a paciência e os objetos dos outros, isso é Asteya, não roubar.
Quando buscamos praticar o equilíbrio através dos nossos 5 sentidos, isso é caminhar com o divino, isso é Brahmacharya, equilíbrio.
Quando desapegamos de sentimentos, emoções e objetos para a nossa casa, corpo e mente ficarem mais leves, isso é Aparigraha, desapego.
Quando praticamos a limpeza do nosso corpo, seja com trataka, jalaneti, raspando a língua ou trocando a meia, isso é Sauca como limpeza.
Quando escolhemos nos reconhecer como graça, puro e eterno, olhar o que nos toca com delicadeza, isso é Sauca como pureza.
Quando escolhemos ter menos expectativas e menos desejos e praticar mais a gratidão, isso é Santosha, contentamento.
Quando escolhemos seguir, passar por algo mesmo não sendo fácil, mas sabemos que é para o nosso bem e nossa transformação, isso é Tapas, disciplina.
Quando nos observamos com gentileza, escutamos nossos sentimentos, usamos a astrologia, a psicologia, o yoga como autoestudo ou quando buscamos aprender algo, isso é Svadhyaya, estudo e autoestudo.
Quando nos envolvemos, seguimos o fluxo e nos conectamos com o aqui e agora, com o divino, isso é Ishvara Pranidhana, entrega ao divino.
Quando comecei a visualizar os Yamas e Niyamas dessa forma e me convidei a treinar sem pensar que Patanjali ou alguém estava me observando ou me julgando se estava certo ou errado, eu passei a entender melhor e realmente a acreditar que Yamas e Niyamas é sobre se relacionar consigo e com o mundo.
E quando eu disse que a pergunta sobre os Yamas e Niyamas tinha mudado tudo, foi porque além de mudar a minha forma de viver e me relacionar, também se tornou a base da minha metodologia, da forma como eu ensino o yoga para as crianças.
Se tivesse que responder em duas linhas, seria: Yamas e Niyamas é sobre se relacionar consigo e com o mundo de forma respeitosa e humana.
Você conseguiu visualizar os Yamas e Niyamas como palavras mágicas depois de tudo isso que tentei traduzir em palavras?
Com carinho, Patrícia Sobrinho
_verão, 2026.


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